GG… Mas Dever Cumprido

E não deu. GG no Superstack 100K Gtd do Stars Club Poker Room, faltando 11 jogadores para o ITM. Muito satisfeito com meu jogo, variando bem as jogadas e tentando polarizar o range. Infelizmente, perdi mãos importantes logo no início onde abri com AQ, AJ, AK, mas os bordos batendo para baixo e os vilões pagando a Cbet e puxando as mãos. Caí para 12bb e fiquei nessa de remar para 22, 24bbs e cair novamente para 12, 14bbs. Numa parada iluminada, shovei 15bbs TT e encontrei KK pela frente, mas trinquei e segui no jogo. Só que mais à frente, meu QQ trombou com uma trinca do parceiro que pagou com K2 e trincou no turn. E, para fechar, um move que eu sei que é tecnicamente errado, mas que eu assumi o erro para fazer e que conto mais em detalhes.

Estou no UTG com 8bbs e recebo AA, meu último shove tinha sido justamente de AA. Fiquei com receio de shovar e não ter pagador, coletando somente 2,5bbs, o que não me ajudaria em nada. Então, nos blinds 8K/16K/2K, fiz um aumento para 35K, restando 90K para trás. Achei 4 pagadores, com os blinds foldando. Então, neste ponto temos 140+16+16+8=180K, mais de 11 blinds. O flop bate 3 cartas baixas, todas de ouros, meu AA é espadas e copas, mas aí já não tem mais volta no stop and go. Uma vez iniciado o move, não tem mais como largar, ou eu ficaria com 5bbs. Shovei e recebi um call, obviamente, de alguém que tinha flopado o flush. O move é tecnicamente errado, mas o risco foi sopesado e calculado e eu assumi o que pudesse advir disso, porque sei que AA flopa mal multiway, mas eu realmente precisava fazer fichas e caso a parada desse certo, eu voltaria para mais de 25bbs, o que me colocaria novamente no jogo.

Quando digo que o baralho judiou, não é choradeira ou mimimi. E vou provar o por que disso. Na jogada acima, a chance de flopar um flush é de 118:1, ou 0,84%!!! Já na outra jogada, a chance de acertar o set no turn é de apenas 8%! As minhas duas mãos, QQ e AA eram, respectivamente, 79% e 82% favoritas contra as mãos dos vilãos. Então, matematicamente provado que o baralho foi cruel, embora seja algo natural do jogo. E nem estou falando das mãos iniciais de AJ, AQ e AK todas suiteds.

GG com AA é dolorido. Mas mais dolorido é ver o short stack da mesa no início do dia com 15bbs, com mais de 60bbs naquele ponto do torneio na base do “vai que bate”. E, para a felicidade dele, estava batendo. Mas bola pra frente, vamos para o próximo. O importante é que o jogo está melhorando e o arsenal está aumentando. Se o baralho ajudar um pouquinho nos momentos cruciais na próxima, quem sabe vamos mais longe. Afinal, não existe campeão sem um mínimo de sorte nos flips.

Abraços

A poucas horas…

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Faltam poucas horas para o início do Dia 2 do Superstack 100K Gtd no Stars Poker Club. E pela primeira vez sou invadido por sentimentos que não consigo definir direito, apenas sinto.

Sinto responsabilidade. Meu nível de entendimento do jogo está crescendo. Quanto mais ele cresce, mais cresce a minha consciência que eu não sei nada de poker. Sempre que eu aprendo algo novo, descubro que deste ponto em diante existem outras dez coisas novas para se aprender. Cada ramo se divide em novos sub-ramos que, por sua vez, vão se subdividindo também. Quando falo responsabilidade, não falo da responsabilidade financeira. Essa já existe há bastante tempo e que me faz jogar somente nos limites que o meu bank roll me permite. Eu tenho uma margem bem expressiva de 150 a 200 buy-ins, por essa razão não sinto a pressão do dinheiro.

Sinto frio na barriga. Sim, pela primeira vez sinto um frio no estômago, um vazio dentro dele. Mas uma sensação gostosa, uma sensação de medo. Das outras vezes, eu ia em um torneio e, basicamente, repetia as mesmas jogadas esperando resultados diferentes. Dessa vez, eu vou em busca do novo. Acabei de dizer para minha mulher – “hoje não tem meio termo, ou estarei de volta em duas horas ou em doze horas”. Destemido? Não. Apenas aprendiz que tenta colocar em prática seus conceitos recém-aprendidos. E essa caminhada pelo novo é preocupante, intimidante mas, ao mesmo tempo, excitante.

Sinto fome. Sinto fome de vitória, sinto fome de mesa final, sinto fome de reta. Acabou a fome pelo ITM. O ITM (in the money) não me conforta mais. Estar no meio do caminho não me reconforta em nada. Eu quero mais. Eu sei que posso mais. Eu me devo esse algo mais. A pior derrota não é a das cartas, a do baralho, a do vilão. A pior derrota é a desistência, é o medo, a covardia em nome de uns trocados a mais.

Esse texto, neste instante, é uma forma de relaxar, de desabafar, de repartir com alguém o que eu sinto horas antes de um Dia Final de torneio. Como é gostoso sentir a respiração alterada, o coração batendo dentro do peito. Como é diferente a sensação de se olhar no espelho para aparar a barba e se perguntar “quem é você?”. Como é incrível olhar dentro dos seus próprios olhos à procura de respostas, mas tudo que vejo é esperança.

E chega a hora de me despir. Não só me despir para o banho, mas me despir do ego, da arrogância, da soberba, do medo do desconhecido, do medo do fracasso, do medo do ridículo. E chega a hora de me vestir. De me vestir de vontade, de calma, de paz, de paciência, de humildade para reconhecer minhas limitações e de coragem para assumir aquilo que está dentro do meu controle.

E seja aquilo que tiver de ser. Um nível apenas ou uma mesa-final. Um ITM ou um bubble boy. Uma derrota acachapante ou uma vitória retumbante. Ou qualquer coisa no meio disso. Nada importa. Tudo importa. E o que realmente vai importar, ao final, foi como a batalha foi travada. Não quero ser herói. Não sou covarde. Quero ser apenas guerreiro e ter orgulho de voltar de cabeça erguida para casa no fim do dia.

Que assim seja…

Poker – Uma Ferramenta no Mundo Corporativo

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Poker – Uma Ferramenta de Coaching

Poker, una herramienta de coaching corporativo en empresas

Este é o título de uma reportagem publicada na página eletrônica da Revista Punto Biz, uma publicação argentina voltada ao mundo empresarial e de negócios.

Cita companhias como a BASF, a TELECOM Italia e Bacardi que implementaram técnicas de poker como ferramenta de recursos humanos.

Além disso, cita também a importância do Poker Pro e Palestrante brasileiro André Akkari, que tem demonstrado através de suas apresentações as semelhanças entre o poker e o mundo corporativo.

O artigo é bem interessante e vale a pena ser lido. Eu queria destacar especialmente este trecho

“No es sólo un juego, es un deporte mental que como tal pone a prueba el pensamiento al máximo y enseña a controlar las emociones y, por lo tanto, fomenta la capacidad de negociación y el cumplimiento de metas.”

Em tradução livre, o poker não é somente um jogo, é um esporte mental que como tal põe à prova o pensamento máximo e ensina a controlar as emoções e, portanto, fomenta a capacidade de negociação e cumprimento de metas.

Depois disso, nada mais a acrescentar!

Poker – Esporte da Mente

Laudo Técnico

Laudo Técnico Dr Ricardo Molina

Este laudo técnico foi elaborado em 2006 pelo doutor Ricardo Molina. Para quem não o conhece o Doutor Ricardo Molina de Figueiredo é professor da Unicamp Campinas e um dos mais conhecidos peritos em fonética forense do Brasil, tendo atuado em alguns casos como Assistente Técnico em processos judiciais criminais e Perito em processos cíveis. Ficou conhecido em 1991, quando a Polícia Federal o convocou para auditar uma fita em que o ministro do Trabalho no governo Collor, o sindicalista Antônio Rogério Magri, admitia ter recebido uma propina de 30 mil dólares. A fama veio alguns anos depois com o caso da morte de PC Farias – assessor de Collor encontrado morto em sua casa de praia, ao lado da namorada. O perito contestou o laudo emitido por um colega também da Unicamp, o médico legista Fortunato Badan Palhares, que defendia a tese de homicídio seguido de suicídio da namorada de PC, Suzana Marcolino. A especulação na época apontava para um caso de duplo homicídio por queima de arquivo. Molina trabalhou ainda nos laudos dos casos da Chacina de Eldorado dos Carajás; o crime da Favela Naval e o acidente que matou os integrantes da banda Mamonas Assassinas entre vários outros. É comumente contratado para emitir laudos para órgãos como o Ministério Público Federal, CPI’s do Congresso Nacional além de departamentos de investigação de vários estados da federação e ainda órgãos de imprensa.

Neste laudo, o Doutor Molina conclui após extensa análise que o Poker Texas Hold’em NÃO é jogo de azar mas, sim, um jogo onde a habilidade do jogador prevalece sobre o fator sorte. Após este laudo seguiram-se outros, elaborados a pedido ou a fruto de uma ação penal. E todos chegaram à mesma conclusão.

Uma Lição aos Oportunistas

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Vitória do Poker

Ano passado, o H2 Poker Club foi vítima de uma ação oportunista da Polícia Civil do Estado de São Paulo, mais propriamente do delegado Nico, que é chegado em um holofote. A polícia fez uma “batida” surpresa no estabelecimento e cerrou suas portas sob as alegações de realização de jogos de azar e crime contra e economia popular.

O tempo é o senhor da razão. As denúncias viraram ações penais que, por sua vez viraram… arquivo! Isso mesmo, foram arquivadas, já que tanto a promotora quanto a juíza do caso consideraram que o poker NÃO é jogo de azar, portanto não é uma contravenção. A decisão foi baseada nos argumentos da defesa do H2 mas, principalmente, em um laudo encomendado pela própria Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, onde foi concluído categoricamente que poker é um jogo onde prevalece a habilidade do jogador bem acima do fator sorte.

O link acima remete diretamente às duas decisões e ao laudo. Infelizmente, os programas televisivos que fizeram a pirotecnia junto com a Polícia Civil não vão divulgar estas decisões, mas não há problema. Neste caso, pelo menos, a justiça foi feita.

Parabéns Igor Federal Trafane, um dos maiores dirigentes que eu já vi na minha vida. Se qualquer político que exerce um cargo executivo tivesse metade da abnegação, da dignidade, da honra, da força de vontade e do talento que este homem tem, o Brasil já seria um dos se não o maior país da face da Terra. Pena que ele é uma exceção…

E viva o poker!

 

Superstack 100K Garantidos Stars Poker Club

O meu blog ficou parado durante muito tempo e por várias razões. Antes de tudo e principalmente, porque acreditava não ter nada interessante a dizer ou a acrescentar a quem gosta e ama poker. Além disso, problemas particulares e de saúde me afastaram por um tempo da escrita e até do próprio poker. Mas tudo isso são águas passadas.

Este ano (2016) já estou no meu quinto 100K Gtd. Logo no primeiro eu bolhei a mesa final, ou seja, fui o último a ser eliminado na mesa semi-final, ficando em décimo lugar. Mas achei que meu jogo tinha evoluído e que eu estava pronto. Ledo engano! Duas eliminações precoces nos subsequentes me mostraram que realmente aquele resultado poderia ter sido fruto da variância e que a sorte estava do meu lado.

Entretanto, o que eu não iria fazer de forma alguma era ficar parado. E intensifiquei ainda mais os estudos, acrescentando mais horas de treinamento, com vídeos, leituras, análise de mãos, acompanhamento de retas finais de grandes torneios, etc. Ainda não estou no ritmo que eu quero, mas melhorei bastante o meu comprometimento e a minha dedicação.

Ontem fui disputar meu primeiro 100K depois dessas duas semanas de estudo e o resultado veio mais uma vez. Só que, desta vez, não foram flips milagrosos, obra do acaso ou ajuda do além. Desta vez eu senti que o jogo fluiu, que eu estava ali 100% na mesa, decidindo cada mão e sendo responsável pelos resultados daquilo que está dentro do meu controle.

Saí muito satisfeito e com a tranquilidade do dever cumprido. Para ser bem sincero, quase cumprido. Na última mão do dia, blinds 2K/4K, abri 8.500 do UTG com AJ naipado. No botão um shove de 79.000 fichas, pago pelo Big Blind com 20.000. Eu sabia que a mão dos dois era marginal. Estava com 192.000 fichas e poderia pagar. Mas era a última mão do dia, ia ficar short no dia 2, ia arriscar muito e blá-blá-blá. Larguei. Mora da história – A9 x 36, com o valete (J) batendo na tampa do bordo, o que me levaria para o dia 2 com 270.000 fichas, quase 50 blinds. Mas, como disse um amigo depois dos procedimentos finais – “o seu fold foi correto, você só está se lamentando porque bateu o J na tampa”. Bom argumento, mas não serve de consolo. No poker, é preciso coragem. Eu sabia que as duas mãos eram marginais, então o call seria o correto. Mas o medo e a vontade do dia 2 falaram mais alto.

Claro que eu errei mais uma tonelada de mãos, mas essa ficou bem marcada. A corrigir, com certeza.

Agora, estou mais assíduo e determinado. Finalmente, acho que decidi um caminho que não tem mais volta. Então, espero estar por aqui mais vezes.

Grande abraço e boa semana!

Homem na Estrada

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Existe um caminho adiante…
Existe uma estrada e um mundo novo para trilhar.

Um belo dia, você acorda pela manhã e se olha no espelho. Um rosto cansado, já envelhecido e brutalizado pelos anos te olha de volta. Seu corpo já não é mais aquele de 20 anos atrás. Nesta altura da vida, você já operou uma série de coisas, tratou uma série de coisas, talvez até tenha algum mal incurável que perdurará pelo resto dos seus dias.

Você acorda muitas vezes mais cansado do que foi dormir. Os fantasmas do passado rondam a sua cama. Uma vida de erros não se apaga com um banho quente, uma barba bem feita e uma roupa legal. Nestas horas acredito em um Deus benevolente, porque fico me imaginando se tivéssemos que carregar 500 anos de culpas e erros nas costas.

Você acorda e muitas vezes tudo que quer é voltar para cama, enfiar-se em baixo dos cobertores e deixar que o mundo passe adiante e se esqueça de você. Você olha dentro dos seus próprios olhos e vê claramente a sua alma dizendo – “fracassado”. Quantos projetos inacabados? Quantos sonhos deixados pelo caminho para apodrecerem na estrada? Quantas vezes paralisado pelo medo? Quantas vezes com vergonha de encarar a própria mulher diante de mais uma derrota?

Eu quero desistir, eu quero parar, eu quero morrer… Agora! Meu Deus, se você existe me mate agora e me tire dessa existência medíocre que eu me auto-impus. Faça a agonia, o desespero e a dor irem embora. Faça eu me esquecer de tudo, até de mim mesmo.

Fim…. ?

Não. Neste exato instante uma voz, de início fraca, começa a gritar lá dentro. E o som vai ficando cada vez mais audível. Essa voz te lembra das vitórias, das lutas, das virtudes. Ela me lembra do amor de uma mulher que você esperou a vida inteira e que hoje vive do seu lado e acredita em cada passo que você dá.

Essa voz grita cada vez mais alto pelo tanto que você estudou, pelo tanto que caminhou, pela luta diária da vida, pelas noites em claro, pelo mundo que só os seus olhos viram. Essa voz não te deixa esquecer da estrada adiante. Você pode estar mais velho, mais cansado, mas ainda é mais feroz, porque caçar já é parte do seu “eu” há muitos anos. Você sabe o caminho, você conhece as trilhas. Você não morrerá hoje!

E você se olha novamente no espelho. Seus olhos ganham um brilho diferente. Você não é mais aquele homem de cinco minutos atrás, um pedaço de fracasso ambulante envolto nas lamúrias infantis, buscando indulgências para consolar-se daquilo que não conquistou. Você agora é outro. Um novo homem que despiu-se da roupagem velha das desculpas de idade, saúde, instrução, conhecimento e vestiu-se da roupa da coragem, da ousadia, da vontade, da certeza.

O medo agora é seu escudo, jamais suas amarras. O medo não te amarra mais. Pode ser que não haja amanhã. Mas se este amanhã não vier, o dia de hoje foi digno de ser vivido. “Hoje eu vou caminhar na estrada. Hoje eu vou por o pé nessa estrada. Que o pó cubra meu corpo e que o vento me diga os caminhos que devo trilhar”.

“Levo meu corpo cansado, mas meu coração cheio de fé. Levo meu rosto marcado, mas minha alma limpa e clara como a luz da manhã que ilumina meus passos”. E aquela voz agora torna-se um canto, um hino ao renascimento, um convite ao descobrimento.

“Não fracassarei. Não que agora conquistarei tudo que deixei de conquistar mas, simplesmente, porque não deixarei mais nenhum sonho por ser vivido, nenhum projeto mais para ser adiado. E quando a sorte me sorrir, quero sorrir de volta. Quando a dor me sorrir, sorrirei de volta. E quando a morte me sorrir, sorrirei também porque vivi tudo que podia viver. Sem medos, sem arrependimentos, sem adiamentos”.

Dizem que a sorte favorece os audazes. Coloque esse dito à prova.

Caminhemos, que a estrada nos espera.
E que assim seja, enquanto Deus assim o quiser.
Amém

Antonio Carlos Evaristo Fernandes
10 de novembro de 2014